Critique e deixe criticar

Achei em uns antigos backups aqui no escritório um cd com minhas colunas para a revista WWW. Escrevi estas colunas nos anos de 2005 e 2006. Como elas ainda não estavam disponíveis para os leitores do blog, resolvi colocá-las aqui aos poucos. O que replicarei no blog é o texto bruto, enviado para os editores da revista. Os textos podem estar antigos e, ainda, terem erros. Conto com vossa compreensão. Boa leitura!

Coluna publicada na revista WWW no dia 1 de setembro de 2005

Critique e deixe criticar

Você que, como eu, trabalha com desenvolvimento e gestão de peças de comunicação ou sistemas de informação em hipertexto para a web, já deve ter se deparado com críticas ocasionais (embora às vezes, nem tão ocasionais assim) a trabalhos desenvolvidos por nós ou por nossas equipes. Vez por outra também somos flagrados criticando o trabalho “dos outros”.

Mas… Qual o problema com as críticas? Não devemos fazê-las? E quando o trabalho é desenvolvido por nós, como receber uma crítica? É errado criticar? Devemos sempre retrucar as críticas? Críticas são necessariamente observações recalcadas e devem ser ignoradas? Devemos sempre segurar nosso ímpeto de criticar alguma coisa?

Bem, se formos listar tudo aqui, eu acabo com o espaço da página, mas não fecho a idéia. Então, por partes. Em primeiro lugar, é bom termos em mente que toda critica é, de certa forma, positiva. Mesmo as mais ácidas podem contribuir positivamente para um projeto. Basta olharmos as críticas com outros olhos.

Para isso, é bom ter em mente que só porque exteriorizamos uma idéia, não quer dizer que esta idéia é nossa. Principalmente quando estamos falando de produções que exigem esforço coletivo de criação. Por mais genial que a “nossa” idéia possa parecer, ela não é definitiva ou infalível. E outra: no momento que esta idéia se torna pública, instantaneamente, ela deixa de ser nossa.

O que precisamos aprender é que não somos artistas e nossas peças não são obras de arte. Devemos entender que pontos de vista divergentes existem e que todos somos capazes de emitir opiniões. Assim sendo, é bem provável que alguém que tenha visto um site desenvolvido por você ou por sua equipe tenha uma critica a fazer. Devemos ser capazes, portanto, de receber as opiniões emitidas pelos outros com maturidade e inteligência.

Um exemplo prático: Sabe aquele site que a sua equipe fez e que deu o maior trabalho para desenvolver; pois o cliente impôs uma série de limitações e, mesmo assim a equipe conseguiu conceber uma peça bastante legal (pelo menos esta é a sua avaliação)? Pois é. Já pensou se chega alguém que não participou do processo, não sabe dos meandros da coisa, mas, ainda assim, aponta uma série de falhas? Que chato, né?

Não. Não há nada de chato nisso. Pelo contrário. O fato de alguém ter o trabalho de escrever para você ou se manifestar publicamente apontando aquilo que você ou sua equipe deixaram passar não deveria ser encarado como algo ruim; é uma ajuda.

Geralmente temos um monte de coisas influenciando nossa criatividade: perfil e demandas específicas do cliente, o cliente do cliente, o ambiente, as pessoas para as quais aquela determinada peça de comunicação se destina, enfim… Esta é outra lista que parece não ter fim. De qualquer maneira, estas acabam sendo nossas desculpas para não aceitarmos as críticas que recebemos ou usamos qualquer item desta lista como justificativa para o que fizemos. Isso não é bom para ninguém.

Cabe a nós, profissionais de criação e desenvolvimento, encontrar soluções eficientes mesmo nos cenários mais hostis. É este o verdadeiro desafio de criação. As “restrições” devem ser encaradas como catalisadores de criatividade e competência, não limitadores de ações. Pense nisso e perceba o quanto é legal quando alguém, que está com a mente limpa e sem os problemas que envolveram o desenvolvimento da solução aponta onde podemos fazer e onde podemos melhorar.

Desvincular a criação do criativo é o primeiro passo para enxergarmos as críticas de forma positiva. Receber críticas faz parte do processo criativo. Portanto, critique e deixe criticar!

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