A internet não tem dono

Achei em uns antigos backups aqui no escritório um cd com minhas colunas para a revista WWW. Escrevi estas colunas nos anos de 2005 e 2006. Como elas ainda não estavam disponíveis para os leitores do blog, resolvi colocá-las aqui aos poucos. O que replicarei no blog é o texto bruto, enviado para os editores da revista. Os textos podem estar antigos e, ainda, terem erros. Conto com vossa compreensão. Boa leitura!

Coluna publicada na revista WWW no dia 1 de abril de 2005

A internet não tem dono

De quem é a internet? É certo que muitos desenvolvedores e responsáveis por websites já pararam pra pensar nesta questão. A resposta não deve ter sido diferente para quem refletiu que, tendo como base o histórico da rede, talvez ninguém e, ao mesmo tempo, todo mundo seja dono da internet. Só que, ainda assim, vemos muita gente tentar fazer usocapião da rede.

Longe daqueles malucos que reclamam a propriedade da lua ou de Júpiter. Refiro-me aos insanos que decretam, sem pestanejar: “quem não tem versão mais recente do browser C não poderá visualizar o site”. Estes decretos desprovidos de qualquer senso de limite ainda podem ser apresentados nas variáveis “região geográfica”, “plugin” ou ainda “velocidade de conexão”. Realmente, é coisa de doido.

Não cabe ao desenvolvedor e nem ao responsável por um website decidir qual browser, plugin, conexão ou sistema operacional o usuário que acessará o site que ele está construindo deve ter. Parece besteira, mas pergunte a alguém que não conseguiu acessar determinado site – qualquer um – qual o nível de sua frustração. Tenho certeza que será alto.

Pensar que o usuário deve ter a liberdade de acessar o seu website de qualquer browser, em qualquer plataforma e com qualquer conexão é uma excelente maneira de demonstrar inteligência estratégica, respeito ao usuário e ao seu investimento em comunicação online. Estes cuidados com o website traduzem um aspecto interessante da usabilidade (para quem ainda não pescou a idéia, é disso que eu estou falando nesta coluna) que interfere diretamente com os resultados de uma estratégia de comunicação online: multiplataforma significa multiusuários.

Como assim? Pense que agora temos diferentes dispositivos que acessam a rede; os computadores pessoais – qualquer que seja a plataforma – estão deixando de ser os principais dispositivos de acesso e celulares, PDA´s e smartphones já despontam como importantes dispositivos de acesso.

E este é só o começo. Imagine os fornos microondas, geladeiras e carros que serão capazes de acessar informações na rede para o deleite de seus usuários. Já pensou a situação de você, em seu super carro, em plena estrada tendo que parar no acostamento e esperar a animação em flash terminar de ser exibida para, finalmente, poder ver as indicações de um mapa? Ou pior, já imaginou alguém pagando uma fortuna por um carro e descobrir que com aquele equipamento ele não é capaz de visualizar os mapas de determinado website, pois a versão do browser do computador de bordo do veículo não é compatível com o plugin usado? Ridículo, não é?

Levando em conta que o motivo mais comum que leva empresas e pessoas a colocarem informações na rede é ter usuários acessando, faz algum sentido restringir o acesso somente a alguns? Se a internet é de todos, é inteligente segregar assim? Obviamente não.

Então, caros amigos desenvolvedores e responsáveis por websites, lembrem-se que pensar usabilidade é pensar no conforto, facilidade de uso e respeito a quem usa o sistema. É lembrar que as decisões (como acessar, de onde acessar, o que acessar, em que ordem e com qual dispositivo acessar) cabem ao usuário, ninguém mais.

Projetar websites que não funcionam em determinada configuração ou que subestimam as capacidades do usuário é sinal de falta de profissionalismo. O usuário foi inteligente o suficiente para escolher buscar as informações em seu website, deixe que ele decida se quer ou não que os links abram em novas abas. Afinal, é ele quem manda; viva o dono da internet!

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