Liberdade de verdade

Achei em uns antigos backups aqui no escritório um cd com minhas colunas para a revista WWW. Escrevi estas colunas nos anos de 2005 e 2006. Como elas ainda não estavam disponíveis para os leitores do blog, resolvi colocá-las aqui aos poucos. O que replicarei no blog é o texto bruto, enviado para os editores da revista. Os textos podem estar antigos e, ainda, terem erros. Conto com vossa compreensão. Boa leitura!

Coluna enviada para a revista WWW no dia 1 de junho de 2005

Liberdade de verdade

Uma das coisas mais interessantes que a gente percebe quando trabalha com tecnologia é o quanto a própria tecnologia muda a nossa realidade, as nossas vidas e o jeito de a gente encarar as coisas. Às vezes, chega ao cúmulo de a tecnologia (ou o avanço dela) seqüestrar a vida, ou melhor, aprisioná-la; fazendo com que muita gente acabe se tornando escrava dos avanços e consumindo de modo exacerbadamente exagerado (com o perdão do pleonasmo). Mas não é sobre este aprisionamento que quero conversar com você, leitor, hoje. Quero usar este exemplo para falar do oposto: liberdade.

Não, você não está lendo a coluna de nenhum psicólogo, sou apenas um profissional de comunicação e tecnologia que gostaria de contribuir para que você faça (ou continue fazendo) bom uso da rede.

Façamos, pois, uma analogia ao pensamento do aprisionamento, que você leu há pouco, no contexto da produção web. Imagine um profissional, uma produtora ou uma equipe de produção que se concentra apenas em manter seus trabalhos up-to-date com o que há de mais novo no “estado-da-arte” (seja lá o que isso significa) das ferramentas multimída e se esquece que, do outro lado daquelas interfaces maravilhosas e “interativas”, existe um ser humano.

Este profissional, ou equipe, em questão comete um erro incrível quando pensa e age dessa forma. É preciso lembrar que, um website é, antes de qualquer coisa, um sistema multimídia de informação. E é justamente o conjunto de informações contidas e organizadas neste sistema que leva o usuário até ele. Se ele (o usuário) não consegue usar este sistema (é sempre bom lembrar que na web devemos usar o termo usuários, e não aquela palavrinha tosca que eu nem tenho coragem de escrever, mas que termina com “auta”), não há sequer uma razão para que o tal sistema exista.

O usuário pode bem ser aquele camarada que é fissurado em tecnologia e tem o mais novo dispositivo tecnológico ou uma pessoa digamos, normal, que acessa a rede de um computador pessoal. Não importa. É um ser humano. E, em ambos os casos, deve ter facilidade para usar e aproveitar tudo aquilo que o sistema lhe oferece. Estou falando de usabilidade, para aqueles que ainda não entenderam. E num conceito mais ampliado do que de costume. Vai além da tão falada – mas pouco praticada – facilidade de uso de um sistema.

Usabilidade, além de facilidade também quer dizer pluralidade, multiplicidade. Seja de pessoas ou de dispositivos de acesso à informação e às funcionalidades dos sistemas.

Voltemos ao aprisionamento abordado no início. Se o tal profissional ou equipe de produção web permanecer com o foco apenas em tecnologias multimídia supostamente interativas, dificilmente deixaremos de assistir o lançamento de sistemas sem nenhum atrativo funcional; tudo se resumirá em interfaces e sistemas que, além de difíceis de usar são impossíveis de serem acessados em outros dispositivos que não computadores de mesa com grande capacidade de processamento. E aí fica claro o aprisionamento que o estreitamento do foco em tecnologia pode causar. Em outras palavras: um website precisa ser fácil de usar, para qualquer pessoa poder fazê-lo usando qualquer dispositivo.

Será que eu estou exagerando? Talvez não. Tomara que não. A não ser que somente eu tenha percebido que agora temos uma infinidade de dispositivos que não são computadores pessoais que têm a capacidade de acessar a web. Enfim, quem produz websites deve pensar – e muito – nessa diversidade de usuários e dispositivos.

Aí eu lhe pergunto: como é que o website feito com o que há de mais recente na vertente das bolinhas pulantes, piscantes e barulhentas vai ser acessado por aquele cara que está interessado em conhecer o seu produto ou a sua empresa, mas quer fazê-lo agora, enquanto está no meio da rua, usando um telefone celular?

Esse, é o verdadeiro desafio da produção web. Ao mesmo tempo que temos liberdade de formato, são as possíveis limitações que vão definir a diferença entre uma solução eficiente e as bolinhas que piscam ao som de algum loop de música eletrônica.

0 comments on “Liberdade de verdadeAdd yours →

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *